Costela diante do fogo de chão, porco inteiro aberto sobre a brasa e tambaqui na prancha: no Festival Brasa Brasil, o fogo será o ponto de encontro entre ingredientes, técnicas e referências regionais. Marcado para 3 de outubro de 2026, das 12h30 às 20h, no Ipê Park Convention Hotel, em São José do Rio Preto (SP), o evento anuncia cinco estações de proteínas animais e uma vegetariana. A proposta gastronômica também tem finalidade beneficente: segundo a organização, todo o resultado líquido será destinado à Missão Guadalupe.
Cinco regiões como ponto de partida
O desenho do festival associa bovinos ao Sul, suínos ao Sudeste, frango ao Centro-Oeste, peixe ao Norte e carneiro ao Nordeste. Mais do que um retrato definitivo dessas cozinhas, a divisão funciona como roteiro de degustação. Nenhuma região brasileira cabe em uma única proteína, e a circulação de ingredientes e costumes torna essas fronteiras culinárias bastante permeáveis.
A relação entre pecuária e carne assada ajuda a compreender a presença bovina na representação sulista. No Sudeste, os preparos suínos dialogam com cozinhas rurais e receitas de aproveitamento. Já os peixes amazônicos carregam vínculos profundos com os rios e com saberes indígenas, fundamentais para a formação alimentar do país. No Nordeste, a criação de ovinos e caprinos também integra a vida e a mesa de áreas do sertão.
Essas referências aparecem reinterpretadas no cardápio. O carneiro anunciado, por exemplo, é apresentado como da Patagônia, embora esteja na estação nordestina. A identidade regional, nesse caso, será construída também por acompanhamentos como farofa de cuscuz com manteiga de garrafa. É uma combinação de repertórios, não uma afirmação de origem nordestina de todos os produtos.
O que os assadores vão levar ao fogo
Na Estação Pampa, Neto Kawai, o Netão, ficará à frente da carne bovina. A costela assada no fogo de chão será acompanhada de creme rústico de cabotiá e chimichurri. O conjunto aproxima a intensidade da carne, a doçura da abóbora e o frescor ácido do molho, oferecendo contrastes importantes para um corte rico em gordura.
A Estação Fazenda, comandada por Matheus Guedes, concentrará os suínos. Estão previstos porco inteiro espalmado, uma “canoa” de lombo desfiado com cebola caramelizada no barbecue, feijão tropeiro e linguiça de pernil com molho de goiabada e pimenta. Na Estação Pantanal, Álvaro Arantes preparará asas, tulipas e drumets de frango na brasa.
Marcelo Barea conduzirá a Estação Amazônia, com tambaqui espalmado na prancha, pirarucu na brasa e ceviche de banana-da-terra. Na Estação Sertão, Seu Moço ficará responsável pelo carneiro no fogo de chão, servido com molho rústico de hortelã, abacaxi tostado e farofa de cuscuz. Marcos Vidal comandará a estação vegetariana, cujo cardápio ainda não foi divulgado no material da organização.
Técnicas diferentes, atenção constante à brasa
A variedade de proteínas exige mais do que trocar a carne sobre a grelha. Espessura, quantidade de gordura, presença de ossos e estrutura das fibras alteram a resposta ao calor. No fogo de chão, o trabalho costuma privilegiar exposição prolongada e controle da distância entre a peça e a fonte de calor. Na costela, esse processo favorece o amaciamento dos tecidos conjuntivos, sem depender de chama direta sobre a superfície.
O porco espalmado apresenta outro desafio: distribuir calor por uma peça com partes de tamanhos e características diferentes. Abrir o animal amplia a área exposta, mas não elimina a necessidade de acompanhar separadamente regiões mais espessas e delicadas. Já os peixes pedem cuidado com o manuseio, porque sua estrutura tende a se desfazer com maior facilidade durante a cocção.
Para quem pretende levar essas referências ao churrasco de casa, alguns princípios ajudam:
- Organize zonas de calor: uma área mais intensa para dourar e outra mais suave para concluir a cocção.
- Espere o combustível formar uma brasa estável; labaredas provocadas pela gordura podem queimar o alimento.
- Use termômetro culinário e referências seguras de temperatura interna, especialmente para aves e peças suínas grandes.
- Evite virar o peixe repetidamente e utilize utensílios que sustentem a peça sem quebrá-la.
- Separe tábuas, pinças e recipientes de alimentos crus daqueles usados nos preparos prontos.
Molhos adocicados, como os que levam goiabada ou barbecue, merecem atenção adicional: seus açúcares escurecem rapidamente sob calor intenso. Em preparos domésticos, aplicá-los mais perto da finalização ou servi-los à parte ajuda a preservar o sabor sem produzir uma crosta amarga.
Uma mesa compartilhada com finalidade beneficente
O formato anunciado é de comida à vontade nas estações, incluindo a vegetariana e os acompanhamentos. Para explorar o cardápio, pequenas porções permitem perceber diferenças entre carnes, molhos e guarnições. Alternar preparos mais gordurosos com elementos ácidos ou vegetais também ajuda a renovar o paladar durante a experiência.
O ingresso inclui três shows e espaço infantil com recreação, sala de games e monitores. Bebidas, sobremesas e estacionamento serão cobrados separadamente. A organização divulga inteira de primeiro lote a R$ 150 e de segundo lote a R$ 180; crianças de 6 a 12 anos pagam R$ 75, e aquelas de até 5 anos têm entrada gratuita. A disponibilidade dos lotes deve ser consultada antes da compra.
Beneficiária, e não realizadora do evento, a Missão Guadalupe desenvolve ações sociais e de evangelização. A organização informa que haverá auditoria, prestação de contas e entrega formal do valor arrecadado. As informações de programação, cardápio, ingressos e destinação do resultado líquido desta matéria têm como fonte o Festival Brasa Brasil, em https://www.festivalbrasabrasil.com.br/, canal para consultar atualizações antes do evento.
Fonte: Festival Brasa Brasil


